domingo, 11 de abril de 2010

Pare Escute e Olhe

Este Sábado, pela primeira vez confesso, fui ver um documentário. Estava curioso em visionar o mais recente trabalho do realizador Jorge Pelicano, Pare Escute e Olhe. A sua entrevista com Carlos Vaz Marques na passada 4º feira na TSF, aguçou-me ainda mais o apetite.

Compro o bilhete no Amoreiras, onde a menina da bilheteira me relembra que “olhe que é um documentário” ao qual acenei com um simpático mas triste “eu sei”. A sala é aquilo a que o Amoreiras chama de VIP. E de facto o era: Lugares que mais parecem sofás, com lotação para apenas 60 pessoas que chegam e sobejam (infelizmente) para visionar este excelente documentário. Devo dizer que não me arrependi de um único cêntimo. Nem eu nem provavelmente as poucas mais de 20 pessoas que o assistiram.

Depois de “Ainda há pastores” Jorge Pelicano volta a surpreender com mais um trabalho que reflecte a vida e as gentes do interior do pais, mais concretamente, o encerramento progressivo da Linha ferroviária do Tua.

Não existe narrador, apenas esporadicamente frases escritas no ecrã negro. Mas toda a estória está bem escalonada. Apercebemo-nos da forma de viver daquelas pessoas, das suas necessidades e da forma com os políticos assobiam para o lado, em favor da ganância, dos lobbies e do poder das grandes empresas.

É um documentário de intervenção e tendencioso é certo. Não há lugar ao contraditório, mas como diz Jorge Pelicano, “eles” tem todos os dias os média que lhes dão direito de antena, ao contrário dos “outros”, os idosos, os que menos tem, os que estão sujeitos às decisões do governo Central, longe das realidades e das suas necessidades. Mas aquilo que as pessoas provavelmente ainda não se aperceberam, é que não são só aquelas gentes que ficam a perder. É um pais inteiro que fica mais pobre em detrimento de mais uma barragem.

PARE para comprar um bilhete, ESCUTE as pessoas daquelas terras, aquilo que tem para dizer, E OLHEM para a magnífica fotografia e montagem de Jorge Pelicano, para uma terra lindíssima de cortar a respiração, e para a vida dura e difícil daquelas gentes.

O documentário de Jorge Pelicano ganhou o principal troféu do CINEECO, o Grande Prémio do Ambiente, atribuído pelo Júri Internacional, o Grande Prémio da Lusofonia e o Prémio Especial da Juventude, arrecadando assim três Campânulas de Ouro, o troféu deste festival.
Melhor Documentário DocLisboa para longa metragem.

19/20

Naruto


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