Amália
Nesta passada segunda e terça feira, a RTP1 transmitiu o filme Amália, a propósito do decimo aniversário sobre a sua morte.
Não tendo visto a quando da sua passagem pelo cinema, tinha uma certa curiosidade sobre o conteúdo biográfico do mesmo.
Não sendo um expert em cinema, tenho no entanto a ideia de que, quando se faz um filme sobre uma determinada pessoa, dever-se-á expor os factos mais relevantes da sua vida e procurar ser-se o mais fiel à personagem. Pudemos ter a nossa visão, o realizador terá a sua, mas não pudemos ignorar aquilo que a mesma representa para cultura popular e para o pais.
No caso de Amália Rodrigues, a sua obra é vastíssima: Cinema, teatro, opera e, claro está, o fado. Amália cantou nas casas mais prestigiadas do mundo: Paris, Londres, Roma, Rio de Janeiro, Nova Iorque, Tóquio. Grandes escritores Portugueses escreveram para a diva: Pedro Homem de Mello, David Mourão Ferreira, Ary dos Santos, Manuel Alegre, O`Neill. Não nos podemos esquecer que na década de 50, 60 e 70, a internacionalização de qualquer artista era extremamente difícil. Tinha-se de facto ter imensa determinação e coragem para fazer carreira internacional. O mundo não era tão globalizado: não havia Internet, telemóveis, computadores portáteis e variadíssimos canais de televisão que catapultassem carreiras.
Para as actuais gerações, Amália foi uma grande cantora de fado, não porque a oiçam - não confundir com o projecto Amália hoje - mas porque os seus pais o dizem. Voltando ao filme, este podia – e acho que o devia - incidir numa retrospectiva sobre a sua longa carreira, feita de sucessos e também de alguns dissabores. Ao invés disso, o filme centraliza-se em demasia na sua vida privada. Amália é mostrada como a Marylin Monroe Portuguesa. Pegou-se no acessório e fez-se disso o essencial; A carreira, as musicas, os poetas, as actuações, como que passaram ao lado em todo o filme. Tudo gira à volta dos amores e aventuras de Amália. Um retrato que não direi que não seja fiel, mas não será o mais relevante para o conhecimento da sua vida e obra. Julgo que ficará junto das camadas mais jovens, uma imagem algo desfocada daquela que foi, e será, a nossa maior interprete musical de todos os tempos.
Uma nota bastante positiva no entanto para Carlos Coelho da Silva, o realizador, e Sandra Barata e Belo que foi uma óptima surpresa na interpretação de Amália.
Naruto
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