quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Casamento - Parte II

Caro Naruto,

Desculpa mas discordo em completo da tua opinião que considero retrograda, ultrapassada e reaccionária.

Começando pelo facto de que a visão clássica do casamento que perdura na mente dos cidadãos ocidentais ainda é a imposta por uma linha de pensamento judaico-cristã com uma postura rígida e imutável relativa a assuntos sérios e que nos afectam a todos (sobretudo os que não se revêem em qualquer religião) enquanto sociedade.

Como nota deixo aqui o significado de casamento (Casa + -mento):
1. Acto!Ato ou efeito de casar.
2. Contrato de união ou vínculo entre duas pessoas que institui deveres conjugais. = matrimónio
3. Cerimónia ou ritual que efectiva!efetiva esse contrato ou união. = boda
4. Fig. União, associação, vínculo.
Como vês, em nada indica que tem de ser obrigatoriamente entre pessoas do mesmo sexo.

Relembro também que a constituição portuguesa no seu Artigo 13.º "Princípio da igualdade" refere no seu ponto 2 que "Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual."

Estranho não é ?! que mesmo com tudo misto ainda queiramos limitar o direito à igualdade de tratamento baseando as nossas justificações em conceitos religiosos quando o acto de casar é na sua essência um acto puramente civil, um contrato celebrado entre duas pessoas em que nenhuma figura mitológica deve interferir. Caso isso aconteça não poderemos criticar os Fundamentalistas Islâmicos pois, salvaguardando as devidas diferenças, estamos a ter comportamentos um tanto ou quanto similares.

Sim, concordo que existem assuntos mais sérios para discutir. Mas felizmente somos aquilo a que se chama Homo-sapiens-sapiens e por esse facto conseguimos enquanto indivíduos abordar, discutir e aplicar vários tipos de assuntos com um variado patamar de importância em simultâneo.

Tanta porcaria bem menos importante que se discute e que é noticia de abertura de telejornal e capa de revista durante semanas, e não vejo este argumento ser usado, porque será ? Pensa bem e explora o teu subconsciente para ver se encontras a resposta. Poderá ser que um dia chegues lá.

Está na hora de fazermos uma sociedade humana e virada para o salvaguada dos interesses e da felicidade dessa mesma humanidade.

O homem da maratona

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